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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Carta de Anthony Hopkins para Bryan Cranston de Breaking Bad.



"Querido senhor Cranston.
Queria escrever e-mail a você - então estou entrando em contato com você pelo Jeremy Barber - acredito que nós dois sejamos representados pela UTA. Ótima agência.
Eu acabei uma maratona de 'Breaking bad' - do episódio um da primeira temporada até os últimos oito do sexto (sic) ano (eu baixei a última temporada na Amazon). Foi um total de duas semanas (de vício).
Nunca assisti a nada como isso. Brilhante!
Sua performance como Walter White foi a melhor atuação que eu vi na vida.
Eu sei que há tantas coisas fumegando e besteiras revoltantes nessa indústria e eu meio que perdi a crença nisso.
Mas seu trabalho é espetacular - absolutamente esplêndido. O que é extraordinário é o poder absoluto de todos os envolvidos na produção. O que foi isso? Cinco ou seis anos de trabalho? O modo como os produtores (você incluso), os roteiristas, diretores, fotógrafos... -todos os departamentos, a seleção de elenco etc - conseguiram manter a disciplina e o controle do começo até o fim é (essa palavra banalizada) incrível.
Desde quando começou como uma comédia de humor negro, descendo em um labirinto infernal de sangue e destruição. Foi como uma ótima peça jacobiana, shakespereana ou uma tragédia grega.
Se você puder, você poderia transmitir a minha admiração a todos? Anna Gunn, Dean Norris, Aaron Paul, Betsy Brandt, R.J. Mitte, Bob Odenkirk, Jonathan Banks, Steven Michael Quezada - todo mundo - todos que deram aulas de performance... A lista é interminável.
Obrigado. Esse tipo de trabalho artístico é raro e quando, uma vez ou outra, acontece, como nesse trabalho época, isso restaura a confiança.
Você e todo o elenco são os melhores atores que eu já vi.
Isso pode parecer rasgação de seda. Mas não é. É quase meia-noite aqui em Malibu e eu me senti compelido a escrever esse e-mail.
Parabéns e o meu mais profundo respeito. Você é realmente um grande, grande ator.
Com meus melhores cumprimentos,
Tony Hopkins”

sábado, 14 de setembro de 2013

Totally Fucked Up: Filmes que perturbam e ofendem - Parte 2

Percebi que ontem pulei o 14. Como isso pouco importa, vai ficar assim mesmo.
Vou dar continuidade a essa lista de filmes que causam abjeção.

16 - Bad Lieutenant - Abel Ferrara


Harvey Keitel em uma perfomance incrível como um furioso enlouquecido, viciado em drogas, policial corrupto que investiga o estupro brutal de uma jovem freira. Esse não é um filme para os fracos de coração e mente.

17 - The Devils - Ken Russel


Por alguma razão idiota, eu decidi assistir The Devils à noite. Eu não conseguia dormir porque sentia muita repulsa com o que tinha acabado de ver. Um sacrilégio, sangrento, incrível pesadelo de freiras sexualmente reprimidas que têm um sacerdote massacrado por seus delírios.

18 - Repulsion - Roman Polanski


Polanski é uma figura singular, não apenas no papel de diretor de cinema. Teve muitos episódios controversos, extremos e impactantes em sua vida. Desde acusações de pedofilia até o assassinato em massa de amigos e esposa pela família Mason. Com o seu cinema não é muito diferente. Paira uma atmosfera perturbadora em muitos dos seus melhores filmes. Talvez a melhor realização de Polanski nos anos 60, Repulsion apresenta uma bela jovem Catherine Denueve que desce aos níveis de loucura e assassinato quando deixada sozinha. Toneladas de carne podre e fantasias insanas neste filme maníaco.

19 - The Killing of America - Leonard Schrader

Este documentário raro passa muito despercebido, principalmente porque foi proibido nos Estados Unidos e em muitos outros países, e isso já sugere o que pode ser visto no filme. The Killing of America não é apenas um filme feito para o entretenimento, é sobre assassinos, assassinos em série, criminosos e outros psicopatas que correm à solta no mundo. O filme tem cenas snuff (reais) de morte e violência. Depois de ver um filme como este é inevitável lembrar Schopenhauer e pensar se existe realmente alguma esperança para nós neste mundo.

20 - Faces da Morte - John Alan Schwartz


Super polêmico e estranho, este filme tem algumas cenas de morte reais e algumas falsas que, ainda assim, são muito assustadoras. Eu e muitos amigos, durante a infância nos anos 80, movidos pela curiosidade e certo fascínio pelo cinema de horror, passamos momentos de tensão com esse filme (que acabou por se tornar uma coleção em pouco tempo). Veio na onda de cinema exploitation que cresceu nas décadas de 70 e 80 do século passado.

21 - A Serbian Film - Srdjan Spasojevic


Uma história terrivelmente brutal sobre uma estrela do pornô sérvio. O filme foi proibido em incontáveis países ao redor do mundo (incluindo o Brasil). É brutal, angustiante, seco, ácido, nervoso. Um filme que foi profundamente depreciado por praticamente 100% da crítica ao redor do mundo. Considero o filme ultra violento pela potência das imagens e das sugestões feitas a partir de rápidos raccords. Definitivamente é um filme para pouquíssimos. Difícil de ver e mais ainda de esquecer. Entretanto, embora passeie por caminhos trilhados pelo exploitation, o filme vai além. Depois de ver e ler algumas entrevistas com o diretor Spasojevic cheguei à conclusão que o filme não pode simplesmente ser acusado de sensacionalista. Como diz o próprio diretor, "são acontecimentos reais, mais frequentes do que se imagina e não percebo outra forma de construir o filme que não seja aquela já feita, sem aparar arestas". É realmente doentio o que se passa. Direto na carne, sem "intermediários poéticos". Uma jornada crua e impactante pelo submundo dos snuff movies.

22 - Lilya Forever - Lukas Moodysson


Assistir a essa película pode causar verdadeiro mal estar. Lilya Forever é um filme profundamente triste sobre uma jovem que vê sua vida ser reduzida a prostituição após ser abandonada por sua mãe e abusada por cada idiota que tem ao seu redor. Filme difícil e duro.

23 - Eraserhead - David Lynch


Obra seminal de uma fase áurea do diretor David Lynch. Diria que Eraserhead é um dos filme mais perturbadores. É tão ameaçador, bizarro e inquietante. Com cenas que provocam profundo asco, é um ensaio terrível sobre a forma do corpo.

24 - Veludo Azul - David Lynch


Os filmes de determinada fase da carreira de David Lynch são um geniais. E Veludo Azul é um soco forte no estômago com toda a sua intensidade de estranhezas. Será que de fato, como argumenta Lynch, o roteiro surgiu (fenômeno recorrente em sua obra) de um sonho profundo? Dennis Hopper atua com uma performance incrível como o pervertido psicopata Frank Booth. O filme conta com enquadramentos excelentes, tomadas geniais. Obra prima.

25 - Pink Floyd: The Wall - Alan Parker


The Wall é um filme forte e denso baseado no disco homônimo da banda inglesa Pink Floyd, com uma carga emocional e afetiva muito poderosa (já presentes até com mais notoriedade no CD), que faz você refletir e questionar tudo o que pensa sobre o vazio existencial da vida. A potência das imagens dão vida e afetam de maneira muito diferente do que faz a música. Pink Floyd é a minha banda favorita, mas até mesmo a música genial e as sonoridades peculiarmente agradáveis não podem distrair ante os visuais perturbadoramente vivos. Realmente chega a você. Destaque para as animações de Gerald Scarfe.

26 - O Massacre da Serra Elétrica - Tobe Hooper


Este filme é um ícone que marca uma fase criativa e revigorante no cinema americano. Fruto de uma mistura de forças no seio da cultura, com apresentações impactantes de figuras presentes no dia a dia das manchetes de jornais nos anos 70. Leatherface é provavelmente o vilão de terror mais assustador de todos os tempos, com inúmeras refilmagens e homenagens. Baseado em uma mistura de assassinos e histórias reais, tendo como personagem principal um troglodita que usa uma máscara feita da carne do rosto de um ser humano assassinado. Toda uma família assustadora de psicopatas e psicóticos canibais. Só de imaginar a sensação de estar sendo perseguido por um maluco com uma serra elétrica já dá calafrios.

27 - Café Flesh - Stephen Sayadian


Cafe Flesh é um híbrido do cruzamento entre o cinema convencional e a pornografia.  Eu estou falando de pornografia com valores de produção, numa mistura de burlesca, noir, new wave dos anos 80. Tratando de um mundo pós-apocalíptico onde os sobreviventes se dividem em positivos e negativos do sexo. Os negativos compõem 99% da população e não pode ter relações sexuais ou mesmo ter contato físico com outra pessoa sem se tornar fisicamente doente. Filme raro hoje que rodava nas antigas videolocadoras.

28 - Lost Highway - David Lynch

Filme magnífico do diretor David Lynch que combina elementos de thriller psicológico e do que se poderia chamar de "neo noir". Obra confusa e perturbadora. Melhor sentar para ver.

29 - Dead Ringers - David Cronenberg


Poderia passar horas falando sobre esse filme. Poderia escrever páginas e mais páginas (novamente!). Em uma palavra: genial! Direção incrível do Cronenberg combinada a uma atuação impressionante do Jeremy Irons. Um filme de profundidade ímpar e cuidado peculiar do diretor canadense sobre gêmeos idênticos que se tornam ginecologistas e vivem como se fossem duas faces de uma mesma pessoa. Irmãos absolutamente geniais que vivem unidos e partilhando tudo em cada um dos caminhos trilhados (guardadas algumas particularidades de cada um). Me lembra de Persona, mas 20 vezes mais perturbador. Há muito que se comentar acerca do filme. Obra de maturidade do diretor e marcada (por críticos de cinema mundo afora) como ingresso de Cronenberg  no chamado "cinema de arte". Muito embora é visível que isso acontece muito antes, basta um olhar mais atento. Filme para ser visto hoje.

30 - Crash - David Cronenberg


Novamente, sou suspeito para falar muito. Uma verdadeira obra prima da cinematografia contemporânea. Desde os enquadramentos, movimentos de câmera, passando pela excelente trilha sonora, performances dos atores, temática de uma perversão sagaz e, obviamente, o trabalho com os corpos. Adaptação para o cinema do livro homônimo de Ballard, o filme (segundo o autor do livro) surpreende por ir além da sua obra. Nas palavras do próprio, "aquilo era muito mais aterrorizante do que meu livro". O roteiro parece começar de onde aquele acaba e se mostra muito mais sincero e carnal. Crash é uma mensagem desde o olho do furacão, e Cronenberg encontrou um espaço de pequena calmaria a partir de onde começa esse brilhante e assombroso filme. Tudo é como um acidente em câmera lenta, e não por sua violência e sexualidade, senão pelo que diz sobre violência e sexualidade.


A parte 2 fica por aqui. Abraços.

domingo, 8 de setembro de 2013

O Vento Lambe Teu Corpo...


O vento lambe teu corpo 
 Ainda morno o bebo
Parece vapor de licor 


O plano hoje, depois de cumprir obrigações de trabalho, estudo e pesquisa, era escrever aqui.
Entretanto, o dia foi tenso. A cada instante livre aparecia alguém pedindo ajuda ou opinião e, assim, não consegui aproveitar os minutos livres do meu dia.

Agora à noite, pressionado por uma espécie de sentimento de culpa por não ter cumprido a meta, resolvi que a segunda postagem seria tão ou mais torta que a primeira. Ainda quero crer que isso não se tornará um padrão. 
No post passado citei um dos motivos que me trouxeram aqui. Outro deles é que muitos amigos vivem me pedindo pra criar um site com críticas de cinema.



Não quero criar um site com crítica de cinema. Não simpatizo com os "críticos" de cinema e nem com a ideia de crítica, nesse sentido usual.
Farei aqui sim, em alguns momentos, o que penso ser análise de alguns filmes, de passagens, de blocos ou mesmo de conjuntos de obra.

Fato é que isso não começa hoje.



Hoje estive a pensar sobre música. Vi um ótimo filme para quem gosta de guitarras, A todo Volume.
Vou postar ele logo abaixo. Recomendo a todos. Estou num momento de retomada da criatividade, depois de longo período, e uma atividade linda à qual tenho dedicado parte do tempo é a construção de instrumentos musicais com uma marca minha e do meu grande amigo Leo. A princípio, apenas guitarras.

Então, esse filme surgiu em momento apropriado. Sem mais delongas, colocarei aqui o link para quem quiser ver completo e legendado em português direto do youtube. Ao final do post coloco um link para download.




Repito, o filme é excelente e valo muito ver! Se trata da reunião de 3 guitarristas (Jimmy Page, The Edge e Jack White), que desvelam mistérios preciosos da guitarra, falam sobre efeitos, construção, história e (principalmente!) tocam muito! Prato cheio pra quem gosta de rock, boa música e guitarras.

Existe um livro do Gilles Deleuze chamado Francis Bacon: Lógica da Sensação, que trata com uma abordagem singular a pintura, os corpos, o olhar e sobretudo a criação na obra desta figura genial. Cito aqui o começo do capítulo 12, O Diagrama:


"Não se ouve suficientemente o que os pintores dizem. Eles
dizem que o pintor já está na tela.Nela se encontra todos
os dados figurativos e probabilísticos que ocupam, que
pré-ocupam a tela. Há uma luta na tela entre o pintor e esses
dados.Existe, portanto, um trabalho preparatório que pertence
plenamente à pintura e, no entanto, precede o ato de pintar.
Esse trabalho preparatório pode passar por esboços,
mas não necessariamente, e mesmo os esboços não o substituem
(Bacon, assim como vários pintores contemporâneos,
não faz esboços). Esse trabalho preparatório é invisível e 
silencioso, e entretanto muito intenso. De maneira que o ato
de pintar surge como um a posteriori (hysteresis) em relação
a esse trabalho".  (pág. 102)


Penso que o filme supracitado, A Todo Volume, nos mostra, sob certas circunstâncias, esse "ato preparatório", que embora no livro em questão se refira à pintura, precede o "ato de criação" que diz respeito a toda a arte, enquanto criação de blocos afetivos. Então vale pra música, pro cinema e muito mais.

Vocês devem ter reparado que esse post foi recheado com belas imagens. São elas do filme O Desprezo, do Godard. Que em breve terá um post dedicado. Simplesmente porque amo o corpo.

No mais, finalizando essa postagem torta, quero deixar um outro filme. Um documentário que toca numa questão importante e delicada. Se trata de Sangue Marginal - Relatos de Cinema e Video Underground no Brasil. Digo que a questão é delicada porque em breve teremos algumas entrevistas e um post completo sobre a questão do cinema independente no Brasil.

Aí penso que esse blog irá tocar feridas expostas. E toda a minha chatice e violência pode vir à tona.
Então, fiquem com os filmes e até breve!




Aqui o link para o filme A Todo Volume em HD: http://thepiratebay.sx/torrent/5254230/

sábado, 7 de setembro de 2013

Ars gratia artis


Um dia resolvi começar um blog. Isso faz muito tempo. E nunca comecei o processo.
Sempre surgia uma desculpa qualquer, uma distração. Hoje decidi começar. De um jeito ou de outro, começaria. E talvez por isso esse primeiro post seja um tanto "torto", disforme ou sem um objetivo claro a não ser, evidentemente, o de começar o blog.

Quando pensei na criação do blog pela primeira vez, lá atrás, estava imerso em fúria e irritação com certas situações. Seria melhor dizer "estranhas" situações. E por isso resolvi esperar (hoje me arrependo). Sou aparentemente calmo e tranquilo. Quase todos se precipitam ao inferir isso tendo apenas um olhar superficial sobre este que vos escreve. A verdade é que sou pouco tolerante com certas (agora sim!) circunstâncias, sou chato, sou violento (no sentido de intensidade).

Como escrevi lá no começo, talvez esse post seja um tanto torto. Já falei de forma breve sobre parte das motivações (a motivação primeira, melhor dizendo) que me conduziram a criar o blog.
O auto retrato do Lucian Freud (imagem acima) está aí pelo simples motivo de ser uma imagem que considero potente e gera um sentimento de identificação em mim. E penso que seja bom começar com uma imagem.

Sobre o nome dessa gênese do "Máquina Noturna", Ars Gratia Artis são as palavras escritas no selo da Metro Goldwyn Mayer (pra quem não lembra, produtora de cinema que começa com o rugido do leão) e é também o nome da primeira parte do segundo capítulo de um livro do Jacques Rancière (As Distâncias do Cinema), o que indica que falaremos de cinema aqui no blog. Essa será, talvez, a espinha dorsal do blog. O cinema. Muito embora isso possa variar.

Além de cinema, tocaremos com uma espada afiada na música, televisão, academia (universidade), ciência, filosofia e política. Talvez tenhamos postagens diárias, talvez mais, talvez muito menos. Impossível dizer com precisão pois tem sido difícil organizar o tempo entre tantos ofícios. Pra encerrar vou deixar um filme do Jan Svankmajer. Talvez um dia eu crie um post inteiro para esse filme. Ele merece muito mais, na verdade.

Abraços!!